quarta-feira, 13 de março de 2013

Pequenas notas sobre uma má Resolução



A Fundação Mata do Bussaco é uma fundação de direito público que tem como entidades fundadoras e detentoras da mesma o Estado Português, através da Secretaria de Estado das Florestas, e a Câmara Municipal da Mealhada.

De acordo com o diploma legal que constituiu a Fundação Mata do Bussaco, cabia à Secretaria de Estado das Florestas e à Câmara Municipal da Mealhada apoiar financeiramente a FMB mediante a transferência anual duma verba que entretanto foi acordada e rondaria os 40 mil euros para cada uma das entidades. Esta verba seria destinada à prossecução das despesas correntes da Fundação.

A Câmara Municipal da Mealhada tem cumprido escrupulosamente esse apoio financeiro enquanto o membro fundador  Estado Português deixou de prestar esse apoio financeiro em 2011.

Por força do processo de avaliação das Fundações apoiadas pelo Estado, sendo que a Fundação Mata do Bussaco  gere e recupera património do mesmo, foi deliberado retirar o apoio financeiro que era atribuído à Fundação, sendo que os valores que anteriormente eram atribuídos deixaram de estar contemplados no Orçamento de Estado.

Não obstante essa retirada de apoio, a Câmara Municipal continuou a orçamentar, e a pagar, o valor que havia sido definido pelo diploma legal que aprovou a constituição da Fundação.

Decorre que, não tendo a Lei Quadro das Fundações feito qualquer referência à posição da Administração Local no tocante ao apoio concedido a Fundações de direito público, a Resolução do Conselho de Ministros n.º 13-A/2013, duma forma que considero usurpadora da autonomia das autarquias locais que gozam de estabilidade financeira, veio, no seu ponto 10, proibir que quaisquer entidades da administração directa ou indirecta do Estado e as pessoas colectivas da administração autónoma e do sector empresarial público prestassem qualquer apoio financeiro ou concedessem qualquer tipo de vantagem, em dinheiro ou em espécie, em substituição dos apoios anteriormente concedidos, nomeadamente, através da aquisição de serviços a essas fundações.

Ora, sabendo que a Fundação Mata do Bussaco tem como única fonte de receita as bilheteiras, visitas guiadas e outras iniciativas por si organizadas, esta Resolução vem, duma forma clara, asfixiar a sustentabilidade da própria Fundação que, até à data e com os apoios, em dinheiro e em espécie, prestado pela Câmara Municipal da Mealhada e pela Junta de Freguesia do Luso, conseguia ser auto-sustentável.

Sucede, ainda, que a Mata do Bussaco foi completamente devastada pelo temporal que destruiu parte do património natural e edificado, que, não esqueçamos, é uma Mata nacional, património protegido do próprio Estado, que agora foge às suas responsabilidades.

Esta Resolução coloca em causa igualmente vários projectos de financiamento para requalificação da Mata, uma vez que a comparticipação dos mesmos nunca é integral, cabendo à Fundação angariar os valores para além da percentagem do programa, o que, podia eventualmente fazer junto das autarquias locais.

Por fim, há uma outra vicissitude que há que ponderar. Actualmente, o Conselho de Administração é nomeado pelo Estado, cabendo à Câmara Municipal nomear o seu Presidente. Do Conselho de Administração apenas é remunerado o seu Presidente. De acordo com o nome figurino das Fundações de direito público, passa a haver três administradores remunerados pelo índice salarial dos Directores Gerais, o que irá aumentar exponencialmente as despesas correntes da Fundação. Ou seja, o Estado corta por um lado e aumenta a despesa por outro, sendo que a necessidade de 3 administradores remunerados na Fundação é um verdadeiro atentado financeiro.

Ora, aquilo que se pretende é que esta Resolução do Conselho de Ministros possa ter uma dimensão diferente, restringindo, por exemplo, a proibição de apoios da administração local às fundações somente nos casos das autarquias que estejam a ser intervencionadas e a receber apoio financeiro do Estado por força do memorando.
Impedir autarquias, que gozam duma boa situação financeira, de contribuir para a manutenção e recuperação dum património que nem é delas mas do Estado, é, no mínimo, um ultraje.

 

terça-feira, 5 de março de 2013

No fim da manifestação está o pote do ouro


Fui um curioso espectador da manifestação do dia 2 de Março, a qual, teve muita forma e pouco contéudo.
Na verdade, foi uma manifestação criativa, com mensagens bem imaginadas e que deram um colorido simpático a esta espécie de evento cultural. Longe de mim ser crítico ou condenar o direito à liberdade de expressão e à manifestação pacífica!
 
No entanto, à manifestação faltou o conteúdo, a expressão da alternativa e do caminho inverso que um futuro Governo - se bem que, igualmente por falta de substância, não se tivesse sabido se era isso que os manifestantes desejavam - deveria tomar, de forma a "devolver a vida" aos portugueses.
Menos preocupado em ler os cartazes e mais atento às declarações do povo, lá fui escutando o "non sense" que tem caraterizado estes aglomerados. A maioria das pessoas ouvidas lá vinha dizendo que a solução passava por derrubar este Governo. E é claro que qualquer jornalista mais afoito perguntava logo se a solução passaria por marcar eleições antecipadas, elegendo um novo governo. Aí começavam as primeiras hesitações, sendo que a maioria respondia que o importante era mesmo "ouvir o Povo". Ora, segundo sei, desde, pelo menos, 1974 que a forma legítima e universal de auscultar o povo é através de eleições. A menos que os intervenientes não acreditem lá muito nessa forma, se calhar, pouco ortodoxa de expressar a democracia e prefiram um "governo de rua", seja lá o que isso fôr.
 
Mandar "lixar a troika" é, sem dúvida, um belo slogan. Mas desejarão os esclarecidos organizadores sair abruptamente dessa coisa chamada "mercados", moeda única ou UE? E, alguma vez perderam uns minutos de reflexão para informarem o povo que anda na rua quais as consequências desse caminho? Podiam, por exemplo, exibir um "slideshow" com as belas imagens da RDA antes da queda do Muro.
 
Não, esse é um papel que ninguém quer assumir. Mais fácil é mostrar a manifestação como um belo arco-íris em cujo fim se encontra um pote com ouro.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

A verdade está nos detalhes


Enquanto os comentadores políticos residentes se vão espraiando em opiniões mais ou menos sustentadas sobre a fiscalização sucessiva do OE 2013, as taxas de juro da dívida pública,com títulos a vencer em 10 anos,desceu a famosa barreira dos 7%.
Se bem se recordam, Teixeira dos Santos, uns meses antes de anunciar o pedido de resgate, afirmava que, caso Portugal ultrapassasse este número quase cabalístico, seria obrigado a pedir ajuda externa, como o veio a fazer.
Entretanto, Portugal ganhou um novo Governo e um Ministro das Finanças que, apesar de ser nacionalmente vilipendiado, é reconhecido no exterior como um factor de garantia dum regresso de Portugal à estabilidade financeira. E Portugal iniciou o ano com estas boas notícias, sendo tão mais relevante esta descida brutal das taxas de juros pelo facto de sabermos que há um ano ultrapassavam a estratosférica percentagem de 17%.
Mas há outro sinal na fixação das taxas de juro em 6,97%. É que aquilo que estava previsto ocorrer lá para Setembro deste ano - regresso de Portugal aos mercados de financiamento - pode ocorrer a qualquer momento.
 
Perante este cenário, cada vez mais creio nas palavras do Primeiro-Ministro que, desde sempre, afirmou que, não obstante terem sido aplicados sacrifícios que quase nos vergam, esses mesmos valerão a pena em nome dum rápido levantar da cabeça deste Portugal!

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

O regresso.


 
Desde Setembro que não dava atenção a este espaço que criei para expor algumas ideias e pensamentos sobre os variadíssimos assuntos que me ocupam a mente.
E decidi regressar porque, pessoalmente,  vou entrar no fim dum ciclo político que se iniciou com as eleições autárquicas de 2009.
Decidi, em conjunto com a família, que  vou fazer uma pausa na minha actividade política activa que, sem interrupções, se iniciou em 1997. E, tendo nestes quase 16 anos estado ao serviço do meu concelho como membro da Assembleia Municipal, Presidente de Assembleia de Freguesia e Vereador, julgo que esta será a altura certa para passar a ter uma visão mais distanciada da política local, participando nela como mero observador.
 
No entanto, e ainda como actor político no concelho da Mealhada, julgo que ainda tenho alguns deveres. Entre eles o da pedagogia e esclarecimento de alguns assuntos que, às vezes, por falta de estudo das matérias, acabam por ser deficientemente expostos nos palcos da política.
Uma das matérias que parece ser quase pedra de toque das discussões orçamentais locais reside no facto da Câmara da Mealhada apresentar saldos de gerência muito positivos, o que equivale a dizer que o Município termina o ano civil com uns bons milhões de euros "a render". Numa análise "en passant" podia concluir-se que a acção do executivo é paupérrima, guardando debaixo do travesseiro os milhões que podiam e deviam ser usados para o benefício das populações. Ora, quem anda minimamente atento, saberá também que as candidaturas a fundos comunitários para certa e determinada obra obrigam os municípios a ter dotação global para essa obra à data da candidatura, valores que serão libertados aquando da aprovação da candidatura e, em sede de revisão orçamental, integrados noutras rubricas.
Agora, se pensarmos que a Mealhada tem previsto para 2013 a Requalificação da Baixa da Mealhada, Requalificação da Zona Central do Luso, Requalificação da Baixa da Pampilhosa, construção do centro Escolar da Mealhada, do centro de Negócios e da Loja das 4 Maravilhas, aquisição dos Terrenos da Soprem para a futura Plataforma Rodo-Ferroviária da Pampilhosa, basta fazer as contas para saber porque estão cabimentados cerca de 8 milhões de euros que não serão utilizados em 2012.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Momento "RUI SANTOS da política".

 
 
 
 
Terminada a conferência de imprensa que tanto pânico causou, eis que o Ministro Vitor Gaspar me veio acalmar e, se houvesse seriedade na política, calar a esquerda trauliteira:
1 - À partida, o Ministro enunciou logo uma série de medidas que AUMENTAM inequivocamente a RECEITA à custa dos mais favorecidos - sobretaxação dos rendimentos de capital, taxa de solidarie...
dade social aplicada aos rendimentos mais elevados, sobretaxação dos bens de luxo (carros de alta cilindrada, barcos, aviões) e sobretaxação dos imóveis de elevado valor - e, diminuem a despesa à custa das chamadas gorduras do Estado - extinção e fusão de fundações e institutos públicos já a partir do Conselho de Ministros de 5ª feira, e continuação da renegociação das PPPs, que já levaram a uma diminuição da despesa em MIL MILHÕES DE EUROS.

terça-feira, 3 de julho de 2012

CGTP – a manifestar-se desde 1970




Na passada semana pudemos assistir, na Covilhã, a um episódio que raiou a violência física contra o Ministro da Economia Álvaro Santos Pereira.
Diriam os distraídos, e também o Ministro, que a manifestação de desagrado havia sido algo espontâneo, fruto destes tempos difíceis de austeridade, desemprego, aumento da precaridade e da carência social. Alías, o próprio Ministro da Economia, na sua boa fé, até foi mais longe, através da manifestação, duma caridade quase cristã, de compreensão das manifestações e até dos insultos, afirmação na qual não me revejo.
Mas, a frio, constatámos que a liderança da manifestação violenta não partiu dos injustiçados desempregados ou trabalhadores precários. A esses atribuo, pelas dificuldades sentidas, toda a legitimidade para a indignação e manifestação contra a austeridade que nos toca a todos, que não desejámos, que não apoiamos, mas para a qual não temos alternativas. A violência contra o Ministro teve origem, sim, nos profissionais da greve, nos especialistas da “luta contra o capitalismo”, nos paladinos dos direitos dos trabalhadores. Ou seja, nos “assalariados da CGTP” que há muitos, muitos anos desconhecem o valor do trabalho e das reais dificuldades de quem, na verdade, produz. Já sei que estas palavras irão criar ira nalguns “camaradas”, mas o choque que tive ao ver um dirigente sindical que desde 1979 nada mais faz do que manifestar-se e exigir a lua dos Governos, do patronato e do “diabo a sete”, não pode colher o meu apoio. Lamento, mas não tem a minha solidariedade na indignação daqueles que muito justamente lutam pelo seu posto de trabalho e pelo seu salário, o que não foi o caso daquele dirigente sindical.
Mas vou ainda um pouco mais longe. Olhemos para o que nos diz a História do pós-25 de Abril e coloquemos na balança os contributos de vária ordem que a CGTP deu aos trabalhadores e ao tecido produtivo português.
1 – A CGTP contribuiu, e muito bem, para a criação do salário mínimo nacional.
2 – A CGTP, em conluio com o Conselho da Revolução, contribuiu e instigou a nacionalização da banca, dos seguros e a dita Reforma Agrária que, poucos anos depois, levou à ruína da agricultura portuguesa.
3 – Por último, que eu saiba, a CGTP não ajudou a criar um posto de trabalho desde a sua fundação.
Sendo assim, com que legitimidade é que a CGTP instiga greves na CP e na TAP sabendo que estão a depauperar ainda mais empresas com dificuldades? Porque razão não mostram mais razoabilidade nas suas exigências ao Governo e às entidades patronais?

Por uma razão simples mas atroz. A Intersindical aumenta a sua força na fraqueza, tem mais influência na queda das empresas do que na sua solidez. E hoje temos a constatação quase científica desta afirmação. É nestes momentos de crise, de austeridade e dificuldade que a CGTP mostra a sua força, não pretendendo contribuir de forma racional, preferindo ser um factor que leva à destruição total. Lamentável.

*artigo a publicar na edição desta semana do JORNAL DA MEALHADA, que regressa ao formato papel.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

O SÍNDROME “MANUEL JOSÉ”


Portugal vive hoje aquilo que resolvi chamar o síndrome “Manuel José”, em homenagem a este tão particular, como caricato, treinador português.
De tempos a tempos, este excelso treinador resolve vir dar umas entrevistas carregadas de fel contra o futebol português e, em particular, contra a selecção portuguesa e o seleccionador da altura. Manuel José, que é um rapaz pouco cordato, lá vai desfiando as suas críticas às técnicas e tácticas, à preparação do estágio, às reportagens feitas com os jogadores, enfim, a tudo o que mexe dentro da selecção. Mas, no fundo, Manuel José cospe todo este rol de argumentos críticos, não com o intuíto construtivo, mas pela razão mais típica do português, invejoso e mesquinho, que gostava de estar no lugar que outros ocupam.
E esta é a doença nacional que nos afecta e nos impede de centrarmos as nossa atenções e energias naquilo que verdadeiramente importa e devia ser desígnio nacional – sobreviver a esta crise, aprender com ela e com os erros do passado para nos tornarmos uma nação mais forte e competitiva. Ah, e, claro, apoiar a Selecção Nacional.

Nos últimos dias, então, o síndrome “Manuel José”  tem contaminado não só os portugueses em geral, mas os políticos em particular. E o expoente máximo desse síndrome até está dentro do meu partido e chama-se Pacheco Pereira. O político/comentador/historiador, e ressalvo aqui o profundo respeito intelectual que nutro por ele, lembra-me um pouco o treinador Manuel José, com a desvantagem de, ao contrário daquele, nunca ter somado qualquer “título” na sua já longa carreira de “treinador”. Pacheco Pereira, à semelhança do que já ouvi de alguns “treinadores de bancada” da oposição, pede um abrandamento das medidas de combate à crise, pede flexibilidade e crítica o que chama “mentalidade empresarial” do Governo. Ora, Pacheco Pereira pode até ser argumentativo e sustentado, mas alheia-se da realidade do País, ao contrário daquilo que acusa o Governo de fazer. Portugal não tem, certamente, duas coisas: nem tempo, nem dinheiro. E quem não tem dinheiro, também não faz cantar um cego.

Mas Portugal tem uma coisa que o comentador devia  enfatizar. Portugal tem quatro avaliações positivas e consecutivas da “Troika”, que se traduzem numa reaquisição de confiança internacional e num aumento muito, mas muito substancial das exportações. Há, no entanto, problemas graves. E o desemprego, sobretudo o desemprego jovem, é o flagelo nacional e que urge ser combatido no imediato.

E se o síndrome “Manuel José” afectou uma certa classe política, então, afectou os portugueses duma forma quase viral. E a inveja e a mesquinhez nota-se onde? No carros! Nos carros potentes e brilhantes que os jogadores “ousam” exibir nos estágios da selecção. Porque é um ultraje o Cristiano Ronaldo, deus ex machina de todos os portugueses, aparecer num Lamborghini XPTO, quando os portugueses apenas vivem remediados. E como a vingança se serve a quente, rejubilaram e deram vivas quando ontem foi anunciado que os “homens do fraque” dos serviços de Finanças passariam a andar de mão dada com a polícia para inspeccionar os proprietários de todos os carros potentes e reluzentes que circulam por essas estradas.

Tenham paciência, mas para esse peditório eu não dou. Porque no fundo o que move os políticos e os portugueses ressabiados é apenas o sentimento grotesco da inveja e da mesquinhez. Porque, no fundo, o que os políticos desejavam era ser o “mister”, o “seleccionador nacional”  e, a larga maioria dos portugueses desejava ser rico, famoso e ter um jeitinho para a bola como o Cristiano Ronaldo.

Vá lá! Foquemo-nos no que importa e apoiemos a Selecção Nacional, a verdadeira e a em sentido figurado.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Hollande, são os mercados, pá!

A eleição presidencial francesa que culminou com a eleição de François Hollande parece ter devolvido a esperança aos "revolucionários" europeus, extasiados com a campanha e com o discurso de ontem do recém eleito Presidente.
A esperança, que acalentou os franceses e a esquerda europeia em geral, funda-se num discurso centrado no emprego (com que custos?), no progresso (conceito vago), no maior acesso dos cidadãos aos serviços públicos (repita-se, com que custos?), no fim da austeridade (e como?) e no confronto com a Alemanha (populismo demagógico).
No entanto, tenho em mim que, cedo Hollande despertará para dura realidade da economia europeia sustentada no rigor orçamental. E, por muito que custe aos europeus, a democracia europeia tem uma organização da qual não se pode fugir, a menos que se decida abandonar a Europa. Coisa que a França não desejará, por certo.
De tempos a tempos, as democracias europeias têm mudado os seus dirigentes políticos. E a cada um deles será permitido um desviozinho aqui e uma nuance mais pessoal acolá. No entanto, há uma linha mestra que conduz os destinos da Europa da qual nenhum país pode afastar-se.O rigor das contas públicas é o novo catecismo europeu. O dogma que, não obstante poder ser questionado, jamais levará a uma qualquer cisão doutrinal. A menos que nos permitamos deixar crescer, como perigosamente vemos ocorrer, os partidos extremistas de esquerda e direita.
Hollande, apesar de ser de esquerda, sempre teve um percurso político de conservadorismo. E, apesar de defender o regresso da França ao Estado Social pós-guerra, sabe que os seus passos terão que ser seguros porque, desde ontem, os olhos dos mercados viraram-se para a França. E o primeiro teste reactivo às suas demagógicas palavras será no dia em que a França tiver que ir aos mercados financiar-se.
Confio que tivemos um Hollande pré-eleições - aquele que teve a louca ideia de taxar os ricos a 75% - e o Hollande pós-eleições - o tecnocrata que, à semelhança de Monti, sabe que o crescimento económico e os planos de combate ao défice estão em encontrar o caminho para eliminar a estagnação. E essa só se consegue através da reformas estruturais que, na sua essência, irão aumentar as taxas de desemprego.
Hollande irá concluir muito brevemente que, por muito que erga a voz contra a hegemonia da Alemanha, é ela quem dita as regras actualmente. E, se numa primeira fase, o Governo alemão deixará que Hollande salve a sua face, depressa lhe dirão que o Pacto Orçamental Europeu é um pacta sum servanta, ou seja, é para ser cumprido seja qual for o Governo eleito. Aceitará as reformas que conduzam ao crescimento económico imediato, agora, negociação de pactos NEIN!

terça-feira, 24 de abril de 2012

Ousar sonhar...


"Os sonhos não determinam o lugar onde vamos chegar, mas produzem a força necessária para nos tirar do lugar onde estamos." - Augusto Cury

Se há caracteristica inata ao ser português é a eterna capacidade de sonhar. Contudo, na maioria das vezes, quedamo-nos pela vontade, nunca chegando a concretizar.
Faltar-nos-á, talvez, essa capacidade de ousar, ir mais além, de ver os sonhos ganharem forma.
Ser empreendedor será isso mesmo: sonhar e fazer.
Foi isso que alcançou a empreendedora CARLA MATOS, uma mealhadense que um dia teve a ousadia de sair da sua zona de conforto para ir atrás duma ilusão que quis tornar palpável. O êxito foi pleno. E hoje, quando vê a materialização do seu sonho exposto nos mais relevantes museus e espaços de arte mundiais, não ignorará certamente as decepções que terá colhido no percurso, os desaires que terá sofrido. Tudo fará parte dum percurso. As quedas são apenas um contratempo e nunca um fim.

A "MateriaLab" é, hoje, o rosto de um sonho que ganhou asas. Um sonho que não terminou ali porque, na forja estarão projectos de índole social a que a Mealhada deve aderir, contribuindo para que outros sonhos se multipliquem e concretizem.

Parabéns, Carla.

quinta-feira, 29 de março de 2012

NOVAS CAUSAS, NOVOS CAMINHOS


O Congresso do PSD que decorreu em Lisboa no passado fim de semana, para além de se ter afirmado como um fórum de debate de causas e ideologias, trouxe também, para aqueles que estiveram mais atentos, um prenúncio duma nova fase política e, igualmente, governativa.

Até à data, e porque as circunstâncias assim o exigiam, à coordenação política do partido coube gerir um ciclo de políticas de austeridade e de equilíbrio financeiro da economia portuguesa. No entanto, coube também a gestão com pinças das possíveis reacções da sociedade civil mas, principalmente, de amparar as tentativas de golpe dos co-responsáveis pelas políticas que nos últimos 6 anos conduziram Portugal a uma pré-bancarrota.

E a verdade é que a gestão política deu frutos. Os portugueses, dum modo geral, reconheceram que este Governo não tinha outro recurso que não fosse aplicar as medidas draconianas de austeridade que implementou. Os portugueses sabem que não há alternativa, não haverá esperança dum futuro melhor se hoje não fizermos enormes sacrifícios  e se não exigirmos a todos, repito, a todos que contribuam para que este mau momento da economia portuguesa seja efémero.

As políticas do Governo têm sido elogiadas por essa Europa fora. As medidas tomadas têm sido aplaudidas pelos principais agentes políticos europeus e o esforço colectivo de todos os portugueses está a valer a pena. A descida acentuada das taxas de juro da dívida colocada no mercado é disso o espelho. Todos os olhos estavam, e ainda estão, sobre nós. E a mínima hesitação, a mínima cedência à demagogia da oposição seria um toque de finados do país e as comparações com a Grécia e com cenários catastrofistas seriam inevitáveis.

No entanto, este congresso trouxe uma nova brisa que trará consigo novas políticas. Reconquistada a confiança dos mercados externos, Portugal necessita de se lançar  em novos desafios que, na opinião do recém-eleito Vice-Presidente do PSD, Jorge Moreira da Silva, passarão necessáriamente pela produção de ideias, pela inspiração e pelo desenho de uma agenda de crescimento e criação de emprego. E eu acrescentava também uma maior abertura à sociedade civil, no âmbito da actual Reforma da Administração Local, política que, de acordo com os ecos da última reunião do grupo parlamentar do PSD com a ANAFRE já está a produzir resultados concretos. O PSD não irá certamente esquecer a sua génese: é um partido do povo que governa para o povo. E com certeza, estas novas brisas trarão consigo uma maior flexiblidade nos critérios de aplicação da lei da Reforma da Administração Local, dando mais voz às Assembleias Municipais e de Freguesia no que toca aos critérios de agregação de freguesias. É isto que todos desejamos e é esta a resposta àqueles que preferem a manifestação estéril ao invés de contribuirem com propostas e medidas concretas.
* a publicar no JORNAL DA MEALHADA online.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Jornalismo: da alcova à sarjeta

Há dias lia um artigo no "Público" que versava sobre a sobrevivência do jornalismo em suporte de papel, por contraponto com o suporte digital, muito mais apelativo e actual.
E como adepto fervoroso das novas tecnologias, abdiquei quase totalmente do suporte de papel e rendi-me ao maravilhoso mundo das aplicações tecnológicas.
A razão da escolha parece-me evidente por várias razões, entre elas a ecológica e a da actualidade. Quem é que quer ler hoje as notícias de ontem?
A nível local também se coloca essa problemática. E se há aqueles que se adaptam à nova realidade, afirmando-se em novos formatos, outros há que insistem na cristalização.
E como sobrevivem economicamente? Bem, não sendo lucrativos e até falseando de forma grosseira as "vendas" através da distribuição massiva e gratuita pelos estabelecimentos e instituições do concelho e concelhos vizinhos, insistem na defesa de interesses obscuros ora através do jornalismo de alcova, ora através do jornalismo de sarjeta.
A minha questão final é: sabendo todos nós que os jornais locais, mesmo com publicidade e assinaturas, são economicamente inviáveis, em nome de que interesses é que se mantêm vivos?

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Este País não é para piegas!

Hoje, confesso aqui a minha irritação contra grande parte dos portugueses. E manifesto aqui o meu mau humor, a minha irascibilidade porque me custa ouvir o vociferar daqueles que, de forma gratuita, criticam as medidas de austeridade que, nenhum de nós deseja, mas são inevitáveis.
E porque me irritam esses críticos? Porque conheço alguns. E sei que nunca na vida calejaram as mãos, nunca na vida conheceram a dureza do trabalho. Pelo contrário, conheci-os como especialistas da caça ao subsídio pessoal e ao subsídio às instituições que lideraram. E eram esses mesmos subsídios que lhes permitiam não só manter as suas colectividades, mas também manter o agregadozinho familiar que, por sua vez, também era avesso ao trabalho.

Por isso, e desculpem-me a franqueza. Abram os olhos para esta nova realidade. O Estado que vos engordou, faliu. E, doravante, este País não é para piegas ou queixinhas das agruras da vida. E se estiverem mal, olhem, emigrem para a Alemanha.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Reaccionário, eu?


Na passada semana fui brindado com o habitual léxico comunista pelo articulista, comunista e sindicalista João Louceiro, que me apelidou de “reaccionário”. Ora hoje, gostava apenas de estender a minha “reaccionarice” às comissões de utentes dos transportes públicos e aos sindicatos que mais não são que extensões dos partidos minoritários da esquerda no Parlamento.
E recordava as palavras muito sábias proferidas pelo Secretário de Estado dos Transportes: o esforço dum ano de contenção e de diminuição do déficit crónico dos transportes públicos portugueses é esmagado por um dia de greve organizada por essas “quadrilhas de malfeitores” (a expressão é minha) que, enquanto o Governo tenta manter o País à tona, insistem em afogar as nossas esperanças de sobrevivência.


quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

O papel dos Bombeiros no concelho da Mealhada


O concelho da Mealhada, pela sua tipologia, configuração, acessibilidades e mancha florestal, na qual incluímos o património único da Mata do Bussaco, necessita dum corpo de Bombeiros com capacidade humana e material para acorrer, em caso de necessidade, às várias emergências que se vão sucedendo.
Em matéria de Proteccção Civil, o Município também tem responsabilidades próprias na área local, cabendo depois à Administração Central a responsabilidade pela segurança dos cidadãos.
A recente confirmação de que o Município da Mealhada não pretende renovar o protocolo celebrado com a Administração Central que permite a existência de duas Equipas de Intervenção Permanente - uma na Mealhada e outra na Pampilhosa - é um sério revês na manutenção da segurança das pessoas e bens na área de intervenção desses bombeiros.

Quero, no entanto, crer que as justificações dadas pelo Executivo camarário carecem de qualquer sentido ou razoabilidade. A existência de constrangimentos económicos não pode NUNCA ser invocado quando em causa está a segurança dos munícipes. A Câmara da Mealhada não pode, por um lado, afirmar que vive uma situação económica invejável e depois invocar as dificuldades económicas para poupar na segurança dos cidadãos. E que tal se alterássemos as prioridades? Será mais relevante gastarmos centenas de milhares de euros em equipamentos desportivos ou reservarmos 50 mil euros para que a segurança de pessoas e bens possa ser assegurada convenientemente?

Para além da Segurança, estão igualmente em causa 10 postos de trabalho que deixarão de poder ser assegurados por corporações de bombeiros, essas sim, em graves dificuldades financeiras.

Mas queria também aqui deixar um alerta que coloca em causa as justificações apresentadas para a não manutenção do Protocolo com a Administração Central após 30 de Junho de 2012. Em Abril a Câmara Municipal da Mealhada integrará no Orçamento de 2012 o saldo de gerência de 2011, o qual se contabilizará certamente em cerca de 1 MILHÃO DE UROS ou mais. Causará algum constrangimento financeiro à Câmara da Mealhada dispender 50 mil euros a par com a Autoridade Nacional de Protecção Civil e, assim, preservar a SEGURANÇA DE TODOS NÓS?

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

O Dilema da Extinção dos Feriados

Provavelmente, para a esquerda portuguesa, vou dizer uma barbaridade e serei apelidado de "fascista, defensor do grande capital, dos latifundiários e dos opressores do proletariado e da classe operária", mas pronto, aqui vai...
Portugal tem 4 datas marcantes, às quais se conferiu atribuir o "galardão" de feriado nacional: 25 de Abril, 10 de Junho, 5 de Outubro e 1 de Dezembro.
E, se o 10 de Junho - Dia de Portugal, das Comunidades e de Camões - é e deve manter-se intocável, as restantes datas terão merecido uma ponderação sobre a sua importância na recente extinção de feriados em nome da produtividade nacional.
Ora, e foi nessa ponderação, que imagino tenha havido para não pensarmos que houve extinções arbitrárias, que, na minha opinião, os decisores erraram.
Deixando aqui bem claro que o 25 de Abril foi fundamental para a conquista da liberdade dos portugueses que viviam sob o jugo da ditadura, parece-me que, em termos simbólicos, a conquista da Independência ao invasor e opressor estrangeiro e a implantação dum regime político onde os governantes não estavam dependentes da consanguinidade, as datas do 1 de Dezembro e do 5 de Outubro serão, certamente, mais representativos da nossa identidade que propriamente o 25 de Abril.
Por mim, continuarei certamente a comemorar o 1 de Dezembro, porque, sobretudo, prezo muito a independência do meu PORTUGAL.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

NOTAS DO ORÇAMENTO E OPÇÕES DO PLANO 2012



O ano de 2012, um pouco à semelhança do que ocorreu em 2011, será um período de elevado constrangimento financeiro para o País e, de alguma forma, com reflexo nas autarquias.
No entanto, e ao contrário daquilo que se quer fazer crer pelo Documento Introdutório ao Orçamento, tal não se deve à recente actuação do Governo de coligação PSD/CDS, mas a 6 anos de governação ilusória, fantasiosa, facciosa e irracional do Governo que antecedeu e que teve como rosto da irresponsabilidade JOSÉ SÓCRATES.
Durante 6 anos, foram ocultados os números da dívida publica, escamoteou-se o aumento do desemprego, apresentaram-se projectos quixotescos e insistiu-se num modelo de gestão economica e financeira que levou Portugal ao colapso e à necessidade de recorrer à ajuda externa.
É, por isso, facciosa a declaração politica do Executivo que duma forma incompreensivel branqueia a anterior Governação, atrevendo-se a condenar a necessária e essencial politica de austeridade executada pelo actual Governo, sendo certo que o próprio PARTIDO SOCIALISTA não vai chumbar o Orçamento de Estado, mas abstém-se com certeza convicto de que, se o caminho a percorrer é espinhoso, não haverá com certeza forma mais suave de o trilhar.
Ademais, a critica do Poder Local que o executivo se arvora representar não possuirá grandes razões de queixa porque o esforço colectivo que é pedido aos cidadãos é claramente superior àquele que é pedido às autarquias, sendo certo que haverá muitas neste País que contribuíram em larga escala para o seu próprio buraco.

E por uma razão de rigor, o Executivo devia mencionar nesta nota introdutória que a diminuição das receitas provenientes da Administração Central não chega aos 6% e que, na realidade, a maior diminuição de receitas resulta dos valores angariados pela própria autarquia através da cobrança de impostos próprios ou da diminuição de outras receitas, como por exemplo, a previsão duma diminuição substancial na venda de terrenos nas Zonas Industriais as quais representam quase 40% da redução da receita prevista pelo Município.

Ora, não obstante a declaração "politiqueira" que introduz o Orçamento, não vamos embarcar numa reacção à mesma medida, nem vamos responder de forma meramente POLITICA a este Orçamento. O sentido de responsabilidade que tem caracterizado o PSD não vacilará perante as tentativas de aproveitamento político e de distorção duma realidade que, por muito que tentem mostrar o contrário, está patente num Orçamento que há muito deixou de ser um documento político, para passar a ser um mero documento contabilistico sujeito a regras apertadas e com reflexos de cálculo nos anos anteriores.

A nossa preocupação será a população do nosso concelho e aqueles que jurámos servir, e será essa perspectiva que nos levará a pronunciar sobre este Orçamento.
 E no que toca à RECEITA verificámos que as alterações relativamente ao ano anterior não são significativas, se excluirmos a receita que prevemos arrecadar com a DERRAMA. Mas tal só pode significar que no passado o Executivo seguiu a receita "socrática" de excesso de optimismo na fixação de novas empresas  e aumento da receita tributável das empresas existentes, o que não era de todo expectável em período de recessão económica real e não de crescimento baseado em dados fantasiosos.

E, não obstante a forte critica ao estrangulamento às autarquias anunciado pelo Governo, a verdade é que em termos de RECEITA resultante das transferências correntes, o Município apenas perdeu cerca de 173 mil euros, valor que representa uma redução de apenas 5,7% em relação a 2011. Percentagem que também se reflecte nas transferências de capital, cuja diminuição é igualmente de 5,7%.

Congratulamo-nos também com os cerca de 1 milhão e 130 mil euros de fundos QREN previstos arrecadar, valores que certamente contribuirão para que o Município possa desenvolver os projectos nas áreas dos Eixos 1, 3 e 4.

 DESPESA

No que toca à DESPESA, o PSD tem vindo nos últimos tempos a alertar para o elevado peso da despesa corrente com os salários dos trabalhadores, por contraponto a chamada despesa de capital  que se reflecte nos investimentos no concelho.
Não queremos com isto dizer que o pagamento dos trabalhadores não é em si um investimento e uma formação. No entanto, e seguindo as próprias recomendações externas, os Municipios deverão conter-se nas admissões de novos trabalhadores, exigindo-se até uma redução de 5% nas despesas correntes com salários. A eficiência dum Município mede-se também pela leveza da sua estrutura e não pela criação duma administração local pesada e dispendiosa.
À semelhança do ano passado, o PSD foi chamado a intervir e a colaborar com sugestões para a composição deste Orçamento. E, mais uma vez, numa atitude responsável o PSD assentou a suas sugestões nas vertentes que, no actual circunstancialismo, deviam figurar neste Orçamento: EDUCAÇÃO, ACÇÃO SOCIAL, DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO e TURISMO.

E, se numa perspectiva geral, estes nossos anseios se encontram espelhados no Orçamento, lamentamos que não se possa ter ido mais longe nalguns capítulos, sobretudo naqueles que julgamos serem investimento reprodutivo, potenciador de crescimento económico e de criação de postos de trabalho.

E, é por isso que lamentamos que 2012 não seja ainda o ano:

- das Zonas Industriais de BARCOUÇO e BARRÔ;

- da PLATAFORMA RODOFERRÓVIARIA DA PAMPILHOSA;

- da REABILITAÇÃO DA BAIXA DA PAMPILHOSA;

- da AQUISIÇÃO E REABILITAÇÃO DAS ANTIGAS CERÂMICAS DA PAMPILHOSA, ANTIGA CERES E ANTIGA SOPREM.

 No entanto, congratulamo-nos por, tal como já pedíamos em 2011, estarmos perto de ver construído o ESPAÇO INOVAÇÃO DO MUNICÍPIO DA MEALHADA.

Ficamos igualmente satisfeitos por ver finalmente resolvido um problema que era uma das bandeiras do PSD em 2009, que era a aquisição das instalações do IVV, espaço que, caso este Município possua o engenho e a capacidade financeira, pode vir a ser um novo pulmão económico e comercial da cidade, aliado tambem à possibilidade de levar avante o CENTRO EDUCATIVO DA MEALHADA, contribuindo também para o investimento na área da EDUCAÇÃO o qual julgámos ser essencial.

A par deste investimento, satisfaz-nos também que em 2012 possamos concluir o CENTRO EDUCATIVO DO LUSO. Não obstante termos mostrado algumas reservas ao modelo implementado, não podemos nunca ser contra todo e qualquer investimento que se faça em prol da EDUCAÇÃO no concelho da Mealhada.

Congratulamo-nos também que o Municipio da Mealhada não ceda à tentação de limitar o investimento na EDUCAÇÃO às infrastruturas, sublevando a dimensão humana da EDUCAÇÃO.

 A ACÇÃO SOCIAL, item que julgamos essencial nas actuais circunstâncias de crise, deverá igualmente conhecer um reforço significativo, sendo certo que a elaboração da CARTA SOCIAL DO CONCELHO permitirá igualmente desenvolver outro dos pontos que focámos e julgámos essencial nas sugestões apresentadas - a maior e melhor articulação entre o Municipio, os Gabinetes de Acção Social, as IPSS, juntas de Freguesia e ASSOCIACOES caritativas do concelho da Mealhada.

Por último, focar o investimento que irá ser feito no TURISMO, com a construção do POSTO DE INFORMAÇÃO E LOJA DAS 4 MARAVILHAS.
Recorde-se que o TURISMO foi também uma das nossas apostas. Mas mais uma vez, temos que deixar aqui as fortes ressalvas. O desenvolvimento turístico do nosso concelho conhece problemas que só uma férrea vontade POLITICA podem vencer. O foco de poluição que conhecemos na Lameira será sempre um tumor que corroerá lentamente toda e qualquer estratégia turística para o eixo Mealhada-Luso-Bussaco. E desejávamos não ouvir, como ainda há pouco tempo tive oportunidade de ouvir, que a vontade POLÍTICA para resolver este problema não tem tido a convicção necessária para que o problema seja definitivamente resolvido.

 Por fim, queria deixar algumas sugestões que, podendo ser integradas nas rubricas orçamentais abertas, carecem de uma concretização:
- sistema de transportes interfreguesias e povoações - estudo de viabilidade e necessidade.
- Construção do Canil Municipal da Mealhada, rubrica que já constava do Orçamento de 2011.
- Reconversão do Parque de Campismo do Luso.
- Mercado Municipal da Pampilhosa, mercado Municipal da Mealhada e Feira de Santa Luzia.

- Agenda 21 Local

Desejamos que alguns destes nossos anseios possam ser contemplados quando se integrar o Saldo de Gerência em 2012.

domingo, 20 de novembro de 2011

O Canil Intermunicipal

Nas propostas apresentadas pelo PSD Mealhada para o Orçamento Municipal de 2011, constava a criação dum CANIL MUNICIPAL OU INTERMUNICIPAL.
Tendo sido apenas uma pequena conquista a sua inclusão no Orçamento deste ano, com a mera abertura duma rubrica, a verdade é que, à semelhança de outros projectos, o Canil não conheceu grandes desenvolvimentos em termos infra-estruturais. Contudo, foram feitos outros trabalhos e reuniões que se revelaram importantes para a definição do modelo que havia de ser seguido.
Para minha surpresa, na reunião deste ano para discussão das propostas a incluir no Orçamento do Município da Mealhada, congratulei-me pelo facto de este projecto que me é caro não ter caído nas brumas do esquecimento, indo conhecer no próximo ano de 2012 desenvolvimentos que me permitem crer que será levado avante o CANIL INTERMUNICIPAL  dos concelhos da Mealhada, Mortágua, Penacova e Montemor-o-Velho.
Não sendo a situação ideal - uma vez que defendíamos um Canil com localização na Mealhada - em tempos de constrangimentos económicos sérios, esta solução permitirá dar aos animais abandonados uma outra dignidade que até agora não possuíam.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

ANTES - demasiado jovem para morrer.

ANTES - demasiado jovem para morrer.

De todas as medidas tomadas e a tomar por este Governo, a Reforma Administrativa local promete revelar-se aquela que mais polémicas, discursos incendiários e aproveitamentos políticos irá gerar nos próximos meses.
E, se a Reforma é essencial, na sua generalidade, para optimizar recursos, reforçar poderes das autarquias, para alterar o sistema eleitoral local e para emagrecer as estruturas directivas municipais, a verdade é que, quando toca a falar em extinguir ou fundir Municípios e Freguesias, o assunto tem que ser tratado com pinças.
Recordo que foi António Costa, actual Presidente da Câmara de Lisboa quem traçou as primeiras linhas da reforma que hoje está em analise no famigerado Livro Verde. E, tendo sido o primeiro actor político a falar nesta medidas estruturantes, foi também o primeiro a implementá-las, reduzindo as freguesias de Lisboa de 53 para apenas 24.
Sucede que, se extinguir ou fundir freguesias em Lisboa parece razoável por uma questão de operacionalidade, é totalmente diferente tentar implementar as mesmas medidas usando as mesmas regras nos concelhos e freguesias do interior ou do litoral rural.
E esta foi a discussão que se colocou no civilizado debate promovido pela Junta de Freguesia da Antes da passada semana. E foi, também,com a presença serena do Adjunto do Secretário de Estado da Administração Local, do Presidente da ANAFRE e do deputado Bruno Coimbra que os pontos que podiam trazer mais dúvidas à população foram, na minha opinião, completamente esclarecidos. E se, genericamente, não fará grande sentido apostar numa extinção pura e duro de freguesias e Municipios, as quais representam apenas 0,1% do Orçamento de Estado ou pouco mais de 3% no valor da dívida pública, a verdade é que, quando descemos à terra, ainda se vislumbram mais razões para ponderarmos caso a caso cada situação. Cada freguesia e cada município tem a sua especificidade própria, a sua identidade única, a sua história, o seu povo, as suas necessidades...Não há lugares iguais, pelo que será totalmente errado partir para a extinção duma identidade sem se analisar convenientemente as suas consequências. Julgo que essa ideia de ponderação ficou clara nas palavras dos intervenientes que referi há pouco. E, no caso concreto da freguesia da Antes, a mera análise de critérios numéricos - que, julgo, por deficiências dos próprios Censos de 2011, também estão incorrectos - nada nos diz sobre a essência da freguesia e sobre as especificidades que, na minha óptica, não levarão a qualquer extinção ou fusão. Não podemos nem devemos ignorar que os benefícios directos para a população são em larga escala superiores aos encargos que a mesma representa para o erário público. Não tenhamos ilusões, tudo o que passar por uma centralização de poderes traduzir-se-á inevitavelmente em pior gestão e em pior utilização dos recursos disponíveis. E, actualmente, a racionalização de recursos é uma das principais preocupações deste Governo.
Satisfaz-me, pois, a reacção dos presentes e de alguns autarcas daquela freguesia. Perante a possibilidade de verem a sua freguesia desaparecer, não brandiram armas, não incendiaram caminhos e veredas a caminho de Lisboa. Preferiram a via pro- activa e positiva. Organizaram-se, voluntariaram-se e dispuseram-se a mostrar com factos credíveis que a Antes não se resigna, não se conforma com os critérios do Documento Verde e está disposta a contrapô-los de forma ordeira e educada como é próprio das suas gentes.
Lamentável foi apenas a intervenção do Presidente da Assembleia Municipal que, em vez de contribuir para o esclarecimento, preferiu o discurso incendiário daquele para quem "quanto pior melhor" pois só assim, incitando à manifestação desordeira, é que se atingem mais facilmente os seus desígnios políticos.
Felizmente, os Antenses são um povo avisado e que não se deixa manipular. E da mesma forma que lutaram com altivez para verem a Antes ser elevada a freguesia em 1964, irão com certeza, apresentar argumentos para que o estatuto seja mantido.
Naquele debate de esclarecimento retive uma frase proferida por uma autarca deste concelho. Ninguém gosta de ver partir entes queridos, ninguém gosta de ver morrer quem lhe é próximo. Eu acrescentaria, ninguém está preparado para ver partir alguém que amamos, sobretudo quando é jovem e cheio de vitalidade.

*a publicar na edição de 02.11.2011 do Jornal da Mealhada.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

O QUE REVELA A AGENDA 21 LOCAL


No passado dia 1 de Outubro realizou-se, no âmbito da Agenda 21 da Mealhada, o que se convencionou chamar de workshop, a qual contou com a presença dos principais responsáveis políticos do concelho, representantes do partidos políticos e das juventudes partidárias, assim como representantes de associações e cidadãos interessados.

O fórum tinha por base de trabalho um relatório elaborado pela Câmara Municipal em parceria com o IDAD - Instituto do Ambiente e Desenvolvimento, o qual se baseava nas respostas a um questionário online onde pontificavam os pontos fortes e os mais fracos do concelho da Mealhada. E, não obstante a amostra daqueles que responderam ao questionário ser pouco significativa, - pouco mais de 200 pessoas - a verdade é que podemos, desde logo, retirar algumas conclusões interessantes sobre aquilo que as pessoas pensam sobre as nossas potencialidades e também sobre as nossas debilidades.

Como pontos fortes, extraiu-se do relatório que o concelho possui boa gastronomia, boa localização, bons espaços verdes e, sobretudo, boa qualidade de vida. Em segundo plano ficaram aspectos como o ambiente, os acessos e acessibilidades, as escolas e os espaços infantis.

Sem ser novidade, os participantes no questionário, quando confrontados com os locais onde levariam pessoas conhecidas ou que recomendariam a turistas, indicaram, na sua grande maioria, o Bussaco, o Luso e o Parque da Cidade, sendo este último o único ponte forte que se deve à intervenção dos poderes autárquicos.

Ora, e será a partir destes pontos mais fortes que se deve implementar uma estratégia de desenvolvimento sustentado dum concelho virado para o futuro.

E, sobre estes vários pontos, permito-me apenas desenvolver dois: o aproveitamento lógico da nossa centralidade, localização e bons acessos externos para nos tornarmos mais competitivos economicamente, mediante o desenvolvimento massivo das nossas zonas industriais direccionadas para o transporte e logística, criação de  um forte lobbie de pressão para a criação da Plataforma Rodoferroviaria da Pampilhosa e para que a futura linha de transporte rápido de mercadorias entre Aveiro e Salamanca tenha como plataforma interface central a Estação Ferroviária da Pampilhosa.

 E, o segundo ponto crucial do desenvolvimento, o turismo. E é sobretudo na mais valia turística do nosso concelho que deposito maiores expectativas. O eixo Luso-Bussaco-Mealhada apresenta, desde que pensado de forma articulada, um potencial incomensurável, onde se alia o Bussaco nas suas várias vertentes turísticas (ambiental, bélico, religioso), com hotelaria e termas do Luso e a gastronomia da Mealhada.

 E será certamente porque se vê neste eixo um potencial de crescimento futuro que vários projectos foram idealizados, ainda que nem todos concretizados - 4 Maravilhas da Mesa da Mealhada, LUSINOVA, requalificação de todo o espaço central do Luso, centro de estágios, etc.

Mas, chegados aqui, não podemos descurar os aspectos negativos que marcam o concelho. E aqui, vou focar quatro, deixando aquele que me parece mais grave e com maior impacto para o final.

No topo das debilidades do concelho surgem as acessibilidades internas, ou seja, as vias entre as diversas localidades do concelho, a falta dum sistema de transportes públicos e a enorme degradação urbana, situação que deve ser transversal a todo o concelho. E se é verdade que, no que toca a acessibilidades, têm sido feitos melhoramentos nos últimos anos, em matéria de transportes urbanos e criação de medidas para a regeneração do património imobiliário, então, encontramos uma pobreza confrangedora de acções.

Por fim, a abordagem daquele que é para os participantes do inquérito o problema mais grave do concelho da Mealhada: os ODORES. Temos que ser francos: aqui os participantes acertaram na mouche, devendo ter em consideração que este ponto negativo coloca em causa tudo aquilo que possa ser a estratégia de desenvolvimento do turismo municipal. De que nos valerá ter belos espaços, iniciativas de mérito, turismo de qualidade, quando uma só unidade industrial que labora no concelho consegue colocar por terra todas as boas intenções e acções no âmbito da promoção turística.

E, creiam-me, está na hora da Mealhada optar entre ter um turismo que potenciará o concelho, trará milhões de euros para os nossos comerciantes e instituições e levar-nos-á além fronteiras ou, ao invés, manter dentro de portas uma indústria altamente poluente, que não paga impostos no concelho e pouco emprega na Mealhada.

Esta será a questão crucial a merecer uma resposta clara dos responsáveis políticos numa próxima workshop para discutir o futuro que queremos.


* a publicar na edição de 11.10.2011 do JORNAL DA MEALHADA.

domingo, 4 de setembro de 2011

Dias difíceis...

Um mês após o ultimo texto, eis o regresso numa reentré que se adivinha difícil e, necessariamente, de resistência.
O Governo segue o caminho traçado num programa eleitoral que não previa milagres nem facilidades. Onde Sócrates mascarava, Passos Coelho mostra a dura verdade e a crua realidade dum Portugal devassado na sua dignidade e credibilidade.
Dois meses volvidos, são visíveis os primeiros sinais de contestação às medidas não só necessárias, como imperativas, para que Portugal possa restabelecer uma normalidade que andou disfarçada nos últimos 30 anos. Sejamos claros, uma indisfarcavel dependência do Estado, dito social, conduziu-nos ao actual estado de coisas. Não somos produtivos ou auto-suficientes na maioria dos sectores, portanto, o colapso do sistema era apenas uma questão de anos.
No fundo, terei que ser solidário com um Governo que não engana os portugueses porque também não lhes prometeu uma vida sem sacrifícios nos próximos anos. No entanto, estou também ciente que irão existir convulsões sociais. Nós, os portugueses, sempre preferimos o queixume à procura das soluções conjuntas. E os próximos tempos serão esse espelho: os outros que paguem a crise porque o que eu quero é vidinha boa e, se possível, com umas ajudinhas do omnipresente Estado.