quinta-feira, 14 de abril de 2011

O amianto e as escolas do concelho


Há uns anos o amianto ou fibrocimento era o material perfeito para os construtores civis. Era leve e fácil de transportar, resistente à água e ao fogo e, sobretudo, barato. No entanto, sabemos nós desde há uns anos, é mortal, potencialmente cancerígeno e causador de doenças graves do foro respiratório.
O problema é que, durante quase duas ou três décadas, foi o material preferencial na cobertura de toda a rede escolar nacional e, como tal, a sua substituição revelava-se dispendiosa. No entanto, o Ministério da Educação foi progressivamente procedendo a essa substituição, sendo certo no entanto que, não existe inventário das escolas que possuem amianto nas suas coberturas, foi somente feita uma análise por parte das Direcções Regionais de Educação às escolas e, mais grave, as escolas primárias, sob a tutela das Câmaras, ficaram fora destas análises.

Parece-nos então evidente que o parque escolar da Mealhada pode ainda ter esse problema por resolver.E se na EB 2/3 da Mealhada tenho conhecimento que já houve intervenção no sentido da substituição das coberturas de amianto por outro material, a EB 1 da Mealhada ainda terá esse problema por resolver.

Cabe ao Município escolher uma das possibilidades: a incorrecta, que será aguardar pela futura criação do Centro Educativo da Mealhada, o qual levará à desactivação da actual EB 1, sendo certo que ainda não será este ano e, provavelmente, também não o será em 2012, que o projecto irá avante; ou a correcta, que passa pela imediata substituição da cobertura do estabelecimento, logo que se constate que a mesma contém amianto.

É, porém, certo que vivemos tempos de contenção. Parece-me é, no entanto, pertinente fazer uma ponderação de interesses e conceder privilégio à saúde e integridade das nossas crianças.

Um assunto a desenvolver. 

terça-feira, 12 de abril de 2011

Nobre Decisão


Ontem dei por mim a reflectir sobre a oportunidade do convite de FERNANDO NOBRE para integrar as listas do PSD às legislativas de 5 de Junho e, no final, concluí pela aprovação desta escolha.
E na apreciação deste convite e aceitação, tentei analisar a questão por dois prismas: a do PSD e a do independente FERNANDO NOBRE.

Quanto à postura do PSD vi-a com toda a naturalidade a partir do momento em que conheci o perfil que o partido traçou do candidato às Legislativas, não ignorando a necessidade dos partidos se abrirem à sociedade civil e fazerem integrar nas suas listas independentes que confiram uma mais valia à candidatura, podendo alargar a base de apoio do partido.

Relativamente a FERNANDO NOBRE, não integrarei o rebanho dos críticos da sua postura. Antes pelo contrário, admiro-lhe a coragem e a postura. Nobre pode não ser um político experiente, pode até ser pouco dotado para o tacticismo político, mas terá com certeza feito a antevisão da reacção de muita e boa gente à escolha lúcida que fez. Como homem de coragem, Fernando Nobre sabia que iria dar o corpo às balas da Esquerda e do PS que não lhe perdoará tal "traição". Mas como Nobre, e muito bem, referiu um dia, não pretende ficar refém de partidos e, por isso, apenas aderirá a causas. E ao candidato que no passado foi mandatário do Bloco de Esquerda e candidato presidencial com um apoio inequívoco de Mário Soares, moveu-o a causa da salvação do País da qual o PSD é o único protagonista credível.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Onde encontrar a Educação?


No passado sábado, realizou-se o 3º Encontro com a Educação, iniciativa organizada pelo Município da Mealhada.  Este evento, numa autarquia que tem feito um investimento estrutural  significativo na Educação nos últimos anos, faz todo o sentido, desde que se destine a discutir a Educação que temos e aquela que desejamos ter.
Lamentavelmente, e porque assisti aos trabalhos que decorreram na manhã, não fiquei com a ideia de que tenhamos sequer discutido a Educação na Mealhada. E, sinceramente, dispensava a parte inicial de “comício” feita pelos políticos presentes e que apenas serviram para a glorificação dum Governo que teve o condão de afrontar os professores, os alunos e demais intervenientes no processo educativo. Pena que, após a intervenção dos políticos – Presidente da Câmara, Governador Civil  e Directora Regional da DREC - não tenha havido espaço para o debate, pois, acredito que os docentes presentes tivessem uma palavra a dizer para contrariar a visão tão optimista dos intervenientes do partido socialista.
Felizmente, tive o prazer de ouvir o Presidente da Comissão Administrativa Provisória do Agrupamento de Escolas da Mealhada, Fernando Trindade, caso contrário teria saído frustrado e com a ligeira sensação de que se estiveram a discutir lugares comuns, ignorando-se a discussão dos problemas que ainda assolam a educação no concelho da Mealhada.
E foi graças a Fernando Trindade que fiquei um pouco mais esclarecido sobre as questões que preocupam a comunidade escolar do nosso concelho. Se por um lado, o Municipio da Mealhada tem feito um esforço louvável de investimento no 2º e 3º ciclo, a verdade é que é no Secundário que os problemas surgem hoje com mais acutilância. Em toda a história do concelho da Mealhada nunca houve qualquer investimento por parte do Estado ou do Município no Ensino Secundário. De recordar que a Escola Secundária foi criada  através da iniciativa privada e, posteriormente, foi integrada na rede pública de ensino. E, em toda a história da democracia portuguesa à qual se reconhece que, dado o atraso existente em matéria de educação em 1974, caminhou em passos largos para uma aproximação dos níveis educativos de outros países, o concelho da Mealhada não conheceu qualquer investimento significativo no Secundário.
Aliado a essa falta de investimento, ou provavelmente por causa dele, assiste-se a uma sangria de alunos que terminam o 3º ciclo para as escolas de Coimbra e para a Escola Profissional.  E, se a transferência destes alunos para a Escola Profissional Vasconcelos Lebre deve ser vista com optimismo, desde que se tenha em conta as legítimas expectativas de empregabilidade no término destes cursos, assunto muito caro ao director do estabelecimento, o mesmo não acontece com a transferência para as escolas de Coimbra. E se o Presidente da CAP do Agrupamento de Escolas da Mealhada aflorou algumas das prováveis causas – entre elas algumas preocupantes, como a existência de centros comerciais – a verdade é que um assunto que podia ter sido a pedra de toque para o início do debate, foi posteriormente esquecido, tendo-se optado pela exposição de conceitos e “powerpoints” que, não obstante a importância teórica, pouca relevância terão para o contexto da comunidade escolar do concelho da Mealhada.
Provavelmente, essa terá sido a razão para quem ninguém da assistência – professores, autarcas e demais pessoas – tenha tido sequer a necessidade de colocar uma qualquer questão. Uma iniciativa a repensar, com certeza.
(artigo a publicar no "JORNAL DA MEALHADA", de 13/04/2011)

sexta-feira, 8 de abril de 2011

O LEITÃO: da Mealhada ou da Bairrada


O Município da Mealhada viu a candidatura do Leitão e Pão da Mealhada ficar fora dos 70 pré-finalistas à eleição das "7 MARAVILHAS GASTRONÓMICAS DE PORTUGAL".
Por outro lado, o LEITÃO DA BAIRRADA viu a sua candidatura pré-seleccionada e, provavelmente, terá grandes chances de vir a ser um dos galardoados finais.

Este aparente fracasso da nossa candidatura leva sobretudo à colocação da questão: devemos promover o LEITÃO enquanto produto da Mealhada ou, ao invés, apostar numa estratégia integrada entre os vários municipios que se inserem na Bairrada. Esta preterição do Leitão da Mealhada pode ter, em si, um sinal daquilo que deverá ser a resposta final.
É certo que a "marca" distintiva é o LEITÃO DA BAIRRADA, do qual, mais de 80% será certamente comercializado e degustado no concelho da Mealhada. Ou seja, comercialmente é a Mealhada a principal beneficiada da promoção deste produto.

Por vezes, e eu também me incluo nesse rebanho, embarcamos em bairrismos excessivos e desgastamo-nos em rivalidades inócuas. E como, há uns tempos, um amigo de Anadia me dizia, provavelmente é o tempo de concentramos as sinergias e empenharmo-nos num objectivo comum de promoção dum produto que é reconhecido por ser da BAIRRADA, certos que uma unidade de acções terá certamente melhores frutos.

A reflectir, sem dúvida.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Fim da Linha


Ontem devia ter sido o dia de fazer um trocadilho. FMI deveria igualmente significar o FIM. O Fim dum 1º Ministro que jurou jamais governar com o FMI, o fim dum governante que teimosamente, e agora sabemos que com consequências graves para o País, bateu o pé e sempre negou que Portugal necessitasse de ajuda externa, dum lider político que, sabemos nós e espero que a larga maioria dos portugueses, sempre colocou à frente dos interesses do País os seus próprios interesses e da sua sobrevivência.

Se restasse um pouco de dignidade ao 1ª Ministro, ontem deveria ter assumido a responsabilidade única e exclusiva pela situação do País e ao mesmo tempo anunciava a sua demissão de líder do Partido Socialista e de candidato às Legislativas de 5 de Junho por manifesta incapacidade governativa.

A ajuda externa, conforme posição unânime dos diversos economistas ontem consultados, vem tarde e as suas consequências são muito mais desatrosas do que se tivesse havido a humildade de a solicitar há 6 meses ou há um ano. E o que se lamenta é que os portugueses ainda não tenham aberto completamente os olhos e depositem uma réstia de confiança no COVEIRO DA NAÇÃO.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

A Educação na Mealhada


Irá decorrer no próximo Sábado o 3º ENCONTRO COM A EDUCAÇÃO, promovido pelo Município da Mealhada.
A iniciativa, louvável, irá este ano abordar temas que, desde que transportados para o contexto local, poderão ter toda a utilidade para que conheçamos melhor o estado da educação no nosso concelho. Falo sobretudo do tema da "Escola e Família" e "Perspectivas de Futuro" para a Educação. Relembro que em 2010 o PSD apresentou uma proposta para que se discutisse a Educação no nosso concelho, tendo não só por base os rankings que colocavam a Mealhada numa posição não muito agradável, mas para que reflectíssemos sobre as estratégias educativas que o Município está a seguir.

Um dos pontos que achámos importante abordar foi a incongruência existente entre um estimado investimento que o Munícipio tem feito na Educação nos últimos anos e o facto de isso não se reflectir positivamente nos resultados. Sendo certo que não podemos somente basearmo-nos nos rankings para tecer considerações sobre a Educação que temos. Na altura, tal como agora, preocupavam-me as questões sociais, a carência económica, as possíveis faltas de estrutura familiar e outras realidades que talvez não estivessemos a conseguir avaliar.

A importância do debate sobre a educação é premente, sobretudo quando vivemos num Estado falido onde a tendência será a demissão cada vez mais acentuada do investimento e protecção da Educação.

Da minha parte, procurarei neste ENCONTRO COM A EDUCAÇÃO colher experiências e ensinamentos que me permitam, enquanto agente activo no Município, dar o meu contributo para que a Educação não saia do pódio dos interesses estratégicos da Mealhada.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Bem público


Desde há muito que defendo o Hospital da Misericódia da Mealhada como um equipamento fundamental para o concelho. E, parafraseando um pouco do Nuno Canilho, entendo igualmente que o futuro dirá que este terá sido, a par do Parque da Cidade, o mais importante equipamento construído nos últimos 20 anos no concelho da Mealhada.
É certo que nunca foi unânime. À sua volta sempre pairaram aqueles que não acreditavam na sua viabilidade ou na sua essencialidade  para o concelho. Felizmente, os anos passaram e, apesar de algumas "armadilhas" que lhe foram colocadas pelo caminho, o Hospital da Santa Casa da Misericórdia da Mealhada soube erguer-se, potenciar-se e hoje será um dos hospitais de referência da zona centro.

O recente protocolo assinado com o Ministério da Saúde e que vai permitir aos utentes do SNS  usufruirem de consultas de 8 especialidades e cirurgia é mais uma vitória daqueles que sempre acreditaram, mas sobretudo da Provedoria que soube resistir a todos os "golpes palacianos" criados, ultrapassando-os e demonstrando que a razão estaria do seu lado.

Espero que este sucesso seja também visto pelo Município como mais um sinal de credibilidade e que, provavelmente, chegou a hora de ver o Hospital como um parceiro e aliado para pensarmos e concretizarmos a saúde no Município da Mealhada.